" Paris, Le Cours la Reine", 1927 by Roger-Viollet

Et alors...


samedi, juillet 31, 2004



Janet Boyd

Les pêcheurs des perles ...Dor aguda, é meu Bizet predileto.
Bom saber que ele se lembrou de mim.

+postado por Alma - 11:19
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jeudi, juillet 29, 2004


"remember how you used to feel, dear...."

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samedi, juillet 24, 2004


RUMOR

Escuta o tempo queimando
dia e noite, noite e dia
aquela dor que doía
e agora já não dói tanto.

Escuta o tempo crestando
com sua fogueira fria
aquele jardim que havia
defronte daquele banco.

Escuta o tempo mudando
a pedra, o ar, a agonia,
tudo o que ainda resistia
com seu desespero manso.

Escuta o tempo passando
pela apulheta vazia,
cinza solta do que havia
de ir apagando e apagando...

in Anulação & Outros Reparos, Bruno Tolentino

+postado por Alma - 13:44
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jeudi, juillet 22, 2004


LET ME ROLL IT

Sensações do passado....
Tardes de sol, cheiro de pêssego e flores de cerejeira. Imagens de tule branco, tomate japonês, assoalho de madeira antigo...
Um cão branco, todo encaracolado (existe isso?!) e das convulsões que o cão branco tinha. Do céu estrelado, da fogueira, da lua redonda, das noites de insônia...das noites de delírios febris. E das escápulas, claro.
Lembrança dos frascos de tinta guache espalhados pelo chão e dos papéis brancos, onde os pincéis deslizavam misturando todas elas, as tintas...Do figo pintado no caderno, sombreado, parecia real.

__________________________________________________________

+postado por Alma - 23:15
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mercredi, juillet 21, 2004



Foto: Pierluigi

Radio Nostalgie. É francesa, claro. Porém, toca o Scott Mackenzie. Uma música bem antiga (quem disse que os franceses não gostam dos americanos?)...."if you´re going to San Francisco, be sure to wear some flowers in your hair...."

Déjà vu!

Coisa mais estranha era tentar entender o tal fenômeno do déjà vu e do jamais vu quando eu estava na faculdade. Não consegui entendê-los quando estudei (mal) Psiquiatria, só na Neurologia. Os meninos deliravam pois a professora era uma gata. Anos depois soubemos que ela era lésbica. Comoção geral...Os então futuros doutores ficaram desolados porque ela gostava da mesma coisa que eles gostavam.

Tenho a sensação de déjà vu toda vez que escuto essa música do Scott Mackenzie. Também quando assisto alguns filmes do Almodóvar e do Fellini.

Daí eu tenho a sensação de saber qual a próxima música, como se eu já tivesse vivido o momento. E que o telefone vai tocar.

A música toca. E o telefone também. Déjà vu...

[Música: Magic Dance, David Bowie]

+postado por Alma - 23:18
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lundi, juillet 19, 2004


Arrumei o meu PC. Agora vejo um Monet assim:


Matin sur la Seine près de Giverny, Monet
Entre 1896 et 1897
Metropolitan Museum of Art

+postado por Alma - 20:46
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dimanche, juillet 18, 2004


Minha compulsão por livros é tamanha que compro duas vezes o mesmo livro. Não sei o que acontece, mas olho para ele e acho que o li, mas que não tenho o exemplar. Daí acabo comprando o livro mais de uma vez.

Minha estante está cheia de Pessoa repetidos. Agora parece ser a vez de Kafka: três exemplares de Metamorfose e dois Médico Rural. Um absurdo essa minha cabeça!


A PRÓXIMA ALDEIA

Meu avô costumava dizer: "A vida é espantosamente curta. Para mim ela agora se contrai tanto na lembrança que eu por exemplo quase não compreendo como um jovem pode resolver ir a cavalo à próxima aldeia sem temer que - totalmente descontados os incidentes desditosos- até o tempo de uma vida comum que transcorre feliz não seja nem de longe suficiente para uma cavalgada como essa".

[Um médico Rural, Franz Kafka, Ed. Companhia das Letras, São Paulo, 2003, pg.40]

Up-date:
Ana, todos os livros do Kafka que eu tenho são traduções do Modesto Carone. Mesmo os repetidos. Pode isso?


+postado por Alma - 11:45
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vendredi, juillet 16, 2004


Ainda na fase de turbulência que me encontro, tenho de operar uma menina no começo da noite. Respiro fundo e lá vou eu. Caso sério de infecção que, caso não seja abordada no mesmo momento, pode se disseminar pelo tórax da garota, provocando danos mais sérios e, por muitas vezes, letais. Às vezes, mesmo quando abordamos tal infecção, não conseguimos bons resultados, devido à anatomia complexa do pescoço.

Tive de alertar a mãe, que cai em prantos com a gravidade da situação, mas a garota está tranqüila.

A gente sempre pinta o quadro ruim para paciente e familiares, mas não podemos demonstrar pessimismo. É complicado, é complicado.

Terminada a operação, levo a garota à UTI pediátrica, que é um lugar bonito e triste ao mesmo tempo. Bonito, por causa da decoração, cheia de bichinhos coloridos e outros enfeites que distraem os pobrezinhos que precisam permanecer lá dentro. O triste eu não preciso explicar, preciso?

Depois converso com pais e irmão da menina, explicando a evolução que esperamos que aconteça. Porém, tenho de falar sobre o lado negro também.

Duro de olhar para eles e enxergar o medo de perderem sua menina...Só quem já perdeu seu filho pode compreender isso.



Ugolino
Auguste Rodin,1882
gesso 41x39cm, coleção Musée Rodin
[foto Bruno Jarret]

Alguns personagens do poema épico
A Divina Comédia, de Dante Alighieri, realmente existiram. Como Ugolino della Gherardesca , representado na obra Ugolino e seus filhos. Em fevereiro de 1289, Gherardesca foi encarcerado, sob a acusação de traição, na Torre da Fome, em Pisa, junto com seus dois filhos e dois netos. Com exceção dele próprio, todos morreram de fome. Para sobreviver, comeu a carne dos filhos e netos, sendo assim condenado ao inferno. O suposto comerciante foi retratado com o corpo sobre as crianças, revelando uma expressão animalesca.


Essa fase de turbulência tem me impedido de perceber as "pequenas felicidades certas diante da minha janela...". Eu costumava ser uma pessoa que se alegrava com elas.

+postado por Alma - 01:03
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mercredi, juillet 14, 2004


FLORES DO MAIS

Ana C.

devagar escreva
uma primeira letra
escreva
nas imediações construídas
pelos furacões;
devagar meça
a primeira pássara
bisonha que
riscar
o pano de boca
aberto
sobre os vendavais;
devagar imponha
o pulso
que melhor
soube sangrar
sobre a faca
das marés;
devagar imprima
o primeiro
olhar
sobre o galope molhado
dos animais; devagar
peça mais
e mais e
mais

in Inéditos e Dispersos, Ed. Brasiliense, 1985, pg. 95

* o negrito é meu

+postado por Alma - 22:48
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lundi, juillet 12, 2004


"É longa a tua arte e tua vida é breve; para vires a luz que a verdade irradia, terás que tropeçar na sua vã filosofia".
Hipócrates

Amaldiçoei a hora que acreditei em você, Hipócrates. Hipócrita!

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Neruda completaria cem anos hoje...


Il Postino

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dimanche, juillet 11, 2004


Decididamente não sei mexer com máquinas!
Meu microondas tinha um defeito e eu só fui descobrir quase um ano depois. Minha câmera digital não foi desvendada até hoje e já está ficando velha. O DVD eu dei de presente para a minha mãe, porque nada de conseguir mexer naquela coisa.
Tudo para falar disso aqui: meu computador. Não sei ainda o motivo, achei que deveria instalar o XP de novo. Desconfigurei tudo, tudo! Estou de frente para uma tela com tudo distorcido e grande, mas que não parece um
Picasso. Muito menos um Monet....cego!

Tive um amigo que arrumava tudo isso para mim. Eu nem precisava pedir, ele olhava e achava que não estava bom. E deixava tudo perfeito! Pois ele nunca mais deu notícias, não atendeu mais as minhas ligações, nem respondeu mais meus e-mails. Teria se cansado de mim? Não, foi do meu computador, bien sûr.

Acho que ele se cansou do meu francês ruim. E daí eu tive que mexer no meu computador sozinha...


Nenhuma notícia da gatinha Pipoca.
Desolée...

+postado por Alma - 10:44
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samedi, juillet 10, 2004


Sou leitora assídua da coluna do Globo da jornalista carioca Cora Rónai. Também de seu blog, que está linkado aí do lado.
Hoje eu me deparei com uma notícia que me deixou desolada: a gatinha Pipoca, que mora no seu prédio, foi raptada por uma mulher. Esta mulher estava num carro Palio,de cor escura, placa de São Paulo (DIK 0741).
Até o momento não se tem notícias da gatinha.

Leia mais aqui.


Foto de Cora Rónai

+postado por Alma - 19:14
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mercredi, juillet 07, 2004


Saio enjoada da Unidade de Terapia Intensiva. Quero sumir dali...Desisto do café que servem lá no coffe shop do hospital, porque ele é pior do que o meu. Quase meia-noite. Poucas pessoas na rua e eu com muita vontade de tomar um café.

E mais Leminski...


Atrasos do acaso
cuidados
que não quero mais

o que era para vir
veio tarde
e essa tarde não sabe
do que o acaso é capaz.


La vie en close, Paulo Leminski, Ed. Brasiliense, 1991, p.28.

+postado por Alma - 00:43
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lundi, juillet 05, 2004


SERPENTE, COMPASSO...

Pernas para cima, uma taça de vinho tinto, Pachelbel, Leminski. Depois de um banho morno, passo o dia a limpo. Pesado, cinzento, aborrecedor, cansativo para uma semana que apenas começou...


Mais ou menos em ponto

Condenado a ser exato,
quem dera poder ser vago,
fogo fátuo sobre um lago,
ludibriando igualmente
quem voa, quem nada, quem mente,
mosquito, sapo, serpente.

Condenado a ser exato
por um tempo escasso,
um tempo sem tempo
como se fosse o espaço,
exato me surpreendo,
losango, metro, compasso,
o que não quero, querendo.

La vie en close, Paulo Leminski, Ed. Brasiliense, 1991, p. 23.

+postado por Alma - 22:39
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dimanche, juillet 04, 2004


Nobody said it was easy
Oh it's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be so hard

I'm going back to the start


( The Scientist, Coldplay)


Comecei a ler Je vous demande le droit de mourir, de Vincent Humbert, e estou bastante confusa. Não com o tema eutanásia, mas com o que de fato realmente aconteceu. Seria ele mesmo quem "ditava" o livro, ou o desejo de sua mãe de livrá-lo da prisão em que ele se encontrava foi capaz de induzir tudo aquilo? Não sei.

+postado por Alma - 13:41
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